Há uma criança “morando sempre no meu coração”

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Se fosse pra escolher uma música que me define, no quesito “ser criança”, seria “Bola de meia, bola de gude”, de Mílton Nascimento e Fernando Brant, quando diz: “Há um menino, há um moleque morando sempre no meu coração. Cada vez que o adulto balança ele vem pra me dar a mão”. Ou seja, vivo de mãos dadas com a minha infância. Oh adulto que balança é esse nosso, heim!

Nessa “vibe” de dia das crianças, onde são postadas inúmeras publicações sobre o tema, pensei numa temática pra fugir do óbvio e cheguei a conclusão de que não há como. O termo que me fascina neste assunto sempre é: ser “pequeno” mesmo depois de grande. Quando crianças não temos amarras, não seguimos padrões. Nem sabemos o que é tudo isso.

O que vi de mais perfeito neste sentido foi um vídeo da “Sumo Conteúdo”, no Facebook, onde fala daquele brinquedo de encaixar formas e cores e diz mais ou menos assim: quando ficamos adultos passamos a entender o real sentido desse brinquedo. Passamos a nos preocupar mais com encaixes do que com qualquer outra coisa. E, por fim, o vídeo sugere: “O que vai fazer? Pensar fora da caixa, brincar com a caixa ou os dois?” e ainda: “quando foi que vc fez uma dança maluca?” Eu fiz um dia desse.

Minhas sobrinhas Dominique, de um ano e 10 meses, filha de Esmerina e Maria Clara, 07 anos, filha de Rômulo Pierre, estavam na casa de mainha, na seguinte brincadeira: iam num beco e logo saim correndo, gritando e rindo, como se tivesse algum bicho por lá. Fui ver qual era o motivo da algazarra e tive uma grande surpresa: não era absolutamente nada! Nada não! Pra elas era tudo. E passou a ser pra mim também. Entrei na “dança maluca” (lembram?).

– Ai, meu Deus, vamos correr daqui. Tem um escorpião malvado e vai nos pegar, eu inventava.

Imaginem a gritaria e a disposição…delas, porque, depois de ir pela 30ª vez, mais ou menos, elas estavam do mesmo jeito e eu, só o coió. Foi muito massa. Nunca vou esquecer daquele momento feliz brincando de “nada”.

Minha sobrinha Mell, de 04 anos, filha de Eduarda, brinca sozinha, com uma ruma de brinquedo. Conversa tanto que parece ter um batalhão de pessoas ali. E tem mesmo, na imaginação dela. Eu acho!

As outras sobrinhas munganguentas são as irmãs Ana Clara, 05 e Ana Lara, 04. Pense numa dupla! Moram em Pombal e, todo dia, a minha irmã, Ezi Raiane, liga pra contar as presepadas das duas. Larinha adora bicho e tem duas histórias dela que amo. Elas moravam num sítio e ficavam muito à vontade nos terreiros. Certo dia, minha irmã dentro de casa, guardando a louça, quase quebra tudo quando viu a cena: Chega Ana Lara agarrada com um sapo, dos maiores que existem. E o amor era tão grande que ela apertava tanto que chega o pobe tava espragatado nos peitos dela, só com os “zoião” do lado de fora e o melhor vem agora: ela limpando a remela do bicho… com um pano de prato. kkkkkkkkkkkkkkk

Recentemente, a mesma Ana Lara chega pra minha irmã e pergunta: mãe, a gente pode criar um cachorro? Minha irmã respondeu sem nem prestar atenção direito na resposta:

– Pode, minha moça!

Ela não contou conversa: – apoi, aí fora tem um. Ele pode morar aqui? kkkkkkkkkk

No lançamento do meu blog, Clarinha, a mais velha das irmãs, tava aqui em casa e na hora de escrever o texto sobre a festa, eu tava sem inspiração e ela bem séria olhando pra mim. Foi quando tive uma ideia. Vou conversar com criança pra coisa fluir, pensei.

– Meu amor, o que vc achou da festa de tia?

– Tava linda. Aquele prédio é lindo, a escada é massa. Gostei da comida…

– Ei….e eu? não vai falar nada de mim?

– Simmmmmm…..você tava linda, mas, tia, seu cabelo tava muito assanhado!

kkkkkkkkkkkkk

Tem como não se inspirar?

Pra completar a trupe dos menores munganguentos, tem Andy (filho de Eduarda), que ainda não está na fase das mungangas porque é muito bebê ainda. Mesmo assim, adora ficar no meio da irmã e dos primos quanto tão aprontando.Chega dá gaitada!

Tenho que citar os grandes também, se não eles me matam. Ícaro tem 10 anos, (filho de Esmerina). É um presepeiro que sempre tá aprontando com uma graça, uma bola, patins, skate e o que aparecer pela frente; Sandi, de 13 anos (filho de Ezi), é a sensibilidade em pessoa. Adora desenhar e inventar. Foi ele o inventor do meu tripê com três cabos de vassoura e uma garrafa pet. Ah menino treloso, viu! Briguei bem pouquinho! Quase bota a casa abaixo com essa invenção. Mas fez e ficou massa! Ruthinha, 16 anos, (filha de Rômulo), é a dona da risada mais esquisita que já vi e tá sempre pronta pra colaborar e conversar. Quando tá comigo não para de rir. E rir mais ainda quando eu digo: oh mulher, pare com esse rinchadeiro no meu pé do ouvido! kkkkkkkk

Pra completar, tem o meu filho Ian, de 14 anos, a criatura mais munganguenta que me rodeia. Eu, mainha e ele estamos ali na disputa do cargo de maior munganguento da família. Ele já me deu inspiração pra vários posts publicados aqui. Um dia, eu, ele e mainha, fomos almoçar na rua e ele tava varado de fome. Quando chegamos num restaurante que o garçom disse o valor, mainha disse: Nammmm! tá muito caro o quilo. Vamos pra outro lugar.
Ian, sai com essa: oh Voinha! Vamos ficar aqui mesmo. A gente não precisa comer um quilo não! kkkkkkkk Ian é o tipo de pessoa que nunca vai deixar de ser criança.

Aliás, acho que todos os que mencionei aqui. E o que dizer de Caê, meu filho de 22 anos, extremamente presepeiro também. Por meio dele conheci a maternidade que me mostrou o que é ter atitude de adulto inspirada na leveza da criança.

Caê sempre foi muito munganguento também e ligado demais em tudo o que acontecia ao redor. Era bem pequenininho e comia muito ovo. Pra evitar que ele comesse mais um, naquele dia, fui fazer pra mim e pro pai dele e tentei disfarçar com a pergunta: – Silvinho, você quer O-V-O?
Caê veio correndo de lá e tascou: eu quero OVO também, mainha!

kkkkkkkkk

As crianças das famílias de vocês também são assim, né? É, eu sei. Todas são. Sem amarras, sem se preocupar com o encaixe das formas e das cores. “E aí, vamos pensar fora das caixas ou brincar com elas ou os dois?”

Feliz dia das crianças pra nós!

8 thoughts on “Há uma criança “morando sempre no meu coração”

  1. Dessa vez chorei de emoção! Romi, você tem uma simplicidade e ao mesmo tempo uma riqueza de detalhes que me emociona de verdade. Continue assim, criança até o fim!♡

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