Sob pressão: a mala vermelha, a pinça e eu

Quando eu tinha 18 anos, saí de Pombal (PB), pra morar em João Pessoa. Eu, uma mala vermelha (meu guarda-roupa, durante anos), e uma pinça. Éramos companheiras inseparáveis!

Além disso, muitas expectativas e medos. Uma ruma deles! Se eu já não sabia o que era a vida, na minha própria casa, imagina longe dela ou dentro da casa dos outros?  Tinha que haver um jeito pra amenizar a situação e diminuir tanta saudade.

Naquela época (anos 80), a comunicação era algo bem complicado. No máximo, havia por perto um orelhão, mas, pra usá-lo, precisava de ficha (é o novo?) e, pra isso, tinha que ter dinheiro, e… sem comentários.

Até que … tive uma ideia!

Pra aliviar a distância e matar a saudade, tome carta! Toda semana. Era um dos melhores momentos da minha vida aqui, na capital! Finalmente, ia voltar a me conectar com as raízes lá em Pombal.

Pois bem! Apesar da comunicação semanal com mainha ser sempre motivo pra muita alegria, num determinado momento, ela começou a ficar cabrera com um pedido que comecei a fazer, desesperadamente, nas missivas: “mainha, mulher, mande aí uma pinça pra mim. Perdi a minha!”; “mande uma pinça pra mim, vai”; “manda, tou precisando de uma”.

Até que, quando chegou lá pela quinta carta, com o mesmo pedido, ela se abufelou e respondeu: “oh minha filha, o dinheiro que você já gastou para mandar essas cartas tudim fazendo o pedido, se tivesse economizado, já tinha dado pra comprar não era uma só não. Era uma ruma de pinça!”

Ops!

Na mesma hora, pensei: minino, tá explicado porque eu tenho tanta afinidade com pinça: eu e ela só funcionamos sob pressão!

28 thoughts on “Sob pressão: a mala vermelha, a pinça e eu

  1. Kkkk kkkk Sua história parece muito com todos que saímos de Pombal pra estudar. E a melhor parte é o orelhão de ficha. É a nova. Kkkkk Parabéns pelo belo texto.

    1. Obg Francisco! kkkkk vc sabia que fiz a matéria quando mudou de orelhão de ficha pra cartão? inclusive, fiz uma passagem (quando o repórter aparece), ensinando como fazer o uso daquele novo instrumento. kkkkkkk n conte pra ng não…..imagina se souberem que fiz entrevista com Frei Damião….

    2. A do orelhão é engraçado. E quando o orelhão fazia ligacao de graça e recebia ligação a cobrar …pense que a s filas não tinham fim. E como trabalhei na telpa ( sou nova da época de Xuxa kkkkk) quando agente via um cabra muito tempo no orelhão agente já sabia tá ligando de graça ai tinha que testar. Muito engraçado ????

  2. Parabéns Romye!! Seus textos são ótimos!! Amei a história da pinça kkkkk
    Não passei por isso porque sou daqui, mas traduz a história de muitos que vieram do interior.?

  3. Quando comecei a ler o texto, fiquei imaginando….Será que é uma pinça especial que só vende em Pombal? Por isso a insistência no pedido? Mas não rsrsrsrs Rindo ainda ???

  4. Romi, quando meu esposo Zé Preto foi estudar aí em João Pessoa, foi ao cinema e entrou pela porta errada, quando Chegou no primeiro andar era o Studio, aí tomava a frente da tela, e o povo lá em baixo gritava, sai do meio abestalhados , aí ele é o amigo se baixaram e não sabiam mais voltar. Eles quase morriam de rir. Foi que a pareceu um homem é tirou eles de lá.

    1. kkkkkkkkk Mulher, que história maravilhosa! Posso fazer um texto pro blog com isso e publicar????? Nesta segunda (23), vou estrear um quadro no programa de rádio “Senta que lá vem história” onde vou ler um dos textos do meu blog e vou pedir aos ouvintes que me enviem sugestões de histórias pra eu amungangar….esta é ótima…..que tal?

  5. Na verdade, vc queria mesmo era uma pinça enviada/presenteada por sua mãe, porque assim vc não iria perder nunca mais. Beijo grande guerreira!!!

  6. Kkkkkk ,”cada doido com sua mania” né mesmo? Kkkkkk. O legal disso Romie, é que sua história, é a mesma de muitos de nós que viemos do interior para a capital. A mala, as cartas, menos a pinça kkkk

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *