Mungangas dos artistas

*Estas mungangas fazem parte do quadro “puxe o tamborete, se sente que lá vem prosa” do programa de rádio Munganga no Ar, onde os ouvintes contam suas mungangas e são publicadas no blog.

 

Anotem aí! Ninguém neste mundo está livre de munganga. E com os artistas não é diferente.

A seguir, algumas contadas por artistas que participaram do programa Munganga no Ar, tanto como entrevistados ou como ouvintes.

O sapato “The Voice”

Em 2013, Bruna Borges, dona de uma das vozes mais doces que já ouvi, participou do programa The Voice.

Dias antes da apresentação, ela e a mãe, Cristina Borges, saíram de loja em loja a procura do sapato. Mas, tinha que ser “o sapato”. Lindo, altíssimo, cor perfeita e, ainda por cima, confortável. E lá foram as duas nessa missão quase impossível. Parece que eu tou vendo a conversa das duas:

– Eitcha Bruna, este é lindo!

– É, mas é baixo.

– E este? Menina, parece que foi feito pra você – disse a pobe da mãe, que tava só o coió de tanto rodar.

– É alto, mas não gostei da cor.

Quando já estavam quase desistindo, passaram em frente a uma vitrine e as duas olham, ao mesmo tempo.

– Não não não! Nem pense! Até pra passar na calçada dessa loja, a gente paga.

– Mãe, é este “o sapato”! Vamos entrar e perguntar o preço. Quem sabe?

E lá foram elas, pisando em ovos. E… não é que o sapato tava em promoção? Mesmo assim, custou os oi da cara.

Enfim….chegou o grande dia! Maquiagem, roupa, música na ponta da língua e ele: o sapato. Todos prontos para brilhar! Até que, alguém da produção disse, na lata: você vai ter que tirar este sapato. A caixa de som é revestida por uma grade e você pode enganchar o pé e cair. É pra evitar acidente.

Eu, sendo Bruna, entraria no palco com o pensamento assim: acidente é pouco, meu fi! Já aconteceu foi uma catástrofe nas finanças da família comprando este bendito sapato. Mas Bruna não é dessas. Ela foi lá, subiu no palco e arrasou, mesmo sendo com o sapato da produção.

Cadê a bateria?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Num dia de show, o cantor e compositor Tony Leon tava no palco com o violão, o baterista e a bateria. A gente há de convir que uma bateria é um instrumento que não passa desapercebido, né? Nem pelo tamanho e muito menos pelo som.

Pois bem! Tava lá Tony tocando, cantando, todo empolgado, quando percebeu um silêncio inquietador. Minino, que quando ele olha pro lado, a procura do seu companheiro de tocada, o canto mais limpo. Tinham caído do palco: a bateria com o baterista e tudo.

Mas, e aí, Adílson, você tocou ou não tocou pra Frei Damião?

Adílson Medeiros – cantor, compositor e poeta – já perdeu as contas de quantas vezes teve que responder a esta pergunta. É que, certa vez, numa recepção a Frei Damião, em Petrolina, ele foi convidado pra cantar no evento. Ficou tão emocionado que nem tava aí pra essa coisa de registrar o momento.

Mas, quando tava lá, diante de toda aquela comoção, aproveitou pra pedir a um fotógrafo amigo que metesse o retrato pra cima. Teve uma hora que Frei Damião ficou bem pertinho e o caba lá só nos flashs. Adílson pensou: eitcha! Essa ficou boa, viu e tome ansiedade pra ver o resultado.

Minino, quando o fotógrafo foi entregar os retratos tão esperados não tinha um sequer com o Frei. Até aquele momento em  que ficou bem pertinho, o retratista fez questão de dar um close, mas, só em Adílson. Não apareceu nem um pedaço da manga da batina do religioso.

“Fui economizar, e deu no que deu. Não tenho provas de que toquei para Frei Damião”.

Eu também não, Adílson. Já entrevistei Frei Damião e o registro tá só no quengo mesmo. Como não é lá muito pequeno cabe um bocado de momentos iguais a estes.

O artista viajante

Diocélio Barbosa é ator, diretor, coordenador, palhaço, fazedor de outras estripulias circenses e estudioso. Mas esse rapaz estuda, viu! Tem graduação, tá terminando um mestrado e vai fazer doutorado. Cada estudo é numa cidade diferente. Até brinquei com ele. “você inventa de fazer cursos que não têm por aqui só pra viver pelo mundo, né?”

Em uma hora de entrevista, descobri de onde vem todo esse gostar de estripulias.

O pai tinha um fusca e tudo que Diocélio mais queria na vida era ir pro trabalho do pai naquele carro. O pai nunca levou. Até que um dia, a caminho do trabalho, o pai percebeu uma reação esquisita das pessoas. Todo mundo olhando, apontando e rindo em direção ao fusca. Ele pensou: o que será que tá diferente em mim hoje? Até que ficou bastante intrigado e parou o carro pra ver o que bixiga tava acontecendo.

Não podia acreditar no que tava vendo: Diocélio estava amorcegado no fusca, na parte de trás, com os pés enganchados no paralamas e segurando “na mão de Deus”. Só podia ser! Era invencionice e perigo demais pra qualquer cidadão, de qualquer idade. E o que dizer de Diocélio que, naquela época, tinha apenas quatro anos?

14 thoughts on “Mungangas dos artistas

  1. Foi maravilhoso o encontro com esta profissional de mão cheia.
    Uma alegria contagiante que até o palhaço ficou mergulhado de afetos.
    Bjs no coração e vida longa as Mungangas.

  2. Parabéns Romye vc é demais vc além de ser Humorista muito Boa e muito mais jornalista amiga e que descontrai todos em suas grande comédias te adoro e shows bjs

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