A saga de uma paraibana no Sul

*Munganga contada pela jornalista paraibana, Gláucia Magalhães, que está morando na Região Sul

 

“O frio deixa todo mundo mais elegante”! Quem nunca ouviu essa frase? Eu já. E, de besta, acreditei um dia. Mas, como mainha já dizia, eu não era todo mundo. Pois bem, eu fugia e muito a essa regra de elegância no frio.

Dentro de casa eu parecia uma marmota, cheia de roupa, meia, touca e luva. No trabalho, os casacos de lã disfarçavam um pouco. Mas, nem de longe, eu conseguia ter o glamour das outras mulheres. Até que, chega “a festa do ano” na cidade: o Baile da PM. Festa tradicional, baile de gala, longo e pá e tal. Eu só pensava numa coisa: como mulesta eu vou usar vestido num frio desse? Pense numa peleja?! Circulei por todas as lojas de aluguel, de venda e minha preocupação não era nem achar um vestido bonito. O mais importante era achar um vestido mais quente, de preferência, que desse pra usar com meia por baixo. Achei o miserável! Bem lindo, com um forro super quentinho. Fechou!

– Oba, já tenho o vestido e as sandálias. Tudo certo!

Aí, chega alguém e diz que no inverno não se usa sandália. Grrrrr!!!!!! Lá vou eu procurar uma peste de um sapato. Calço 38. Todos que eu provava, saíam do meu pé quando caminhava. Resultado: comprei um número 37, que entrou e parecia confortável (doce ilusão).

Resolvidas as pelejas do vestido e do sapato, era só esperar a data do tal baile…

Em termos de maquiagem, sempre me viro em casa e nunca faço nada no cabelo. Só lavo e deixo secar no vento mesmo. Mas, como se tratava DA FESTA da cidade, inventei de marcar um salão.

Tinha escolhido fazer um coque bagunçado e uma maquiagem leve. A mulher lavou meu cabelo, escovou, mas, decidiu começar pela maquiagem. Deitei e ela começou. Pintava daqui, pintava dacolá…

– Ah! Eu trouxe um cílio postiço. Coloca, por favor?

Senhooooorrrrr!!!! Ela lascou a cola diretamente no meu olho. Pensei: que porra é essa? Mas, fiquei enturida calada, até ela dizer que estava pronta. Levantei e fui arrumar o cabelo. Que quando me olhei no espelho, só deu vontade de fazer uma coisa: chorar. Pense numa desgraça!!! Parecia que eu tinha saído de um dia de trabalho no sol do Mercado Central. A cara toda oleosa feito a peste. Um desmantelo! Mas, disfarcei! Quando ela começou a fazer o tal coque, espichou meu cabelo de um jeito que fiquei uma mistura de emo com a irmã Zuleide. O cão. Disse que queria mudar o penteado e que ela deixasse solto, virado pro lado. Feito! O cabelo ficou bom. Saí do salão, morta de arrependimento. Cheguei em casa, já atrasada, lavei a cara e refiz toda a maquiagem. Que óóóóódioooo!!!!!!

Mas, a noite estava só começando. E o baile também. Frio do cacete. Cheguei e fui sentar e só assim ficar mais aquecida.

– Gláucia, você tem que ficar com a gente recebendo os convidados, pois somos os anfitriões. Agora lascou! Eu sou alérgica a cheiros fortes, perfumes e afins.  Lascou de novo. Chegavam aquelas mulheres montadas, com aquele cheiro de laquê, cada uma com um perfume diferente e todas, TODAS passavam por mim e davam beijinho. Tenho espirro preso até hoje!

Pra completar, o sapato (que ficou bom, lembra?), começou a incomodar. As pernas tremiam e não parava de chegar gente. Finalmente, parou. Quando eu consigo me sentar, a banda começa a tocar.

– Gláucia, temos que abrir o salão.

Opa, beleza, pelo menos dançar eu gosto. Era uma valsa eterna. Mas, desenrolei. Até as pernas começarem a tremer e o sapato me mutilar. Sentei de novo! A banda para e o cantor diz que vai tocar um forró em minha homenagem por eu ser da Paraíba. Imediatamente, me inclinei para tirar os sapatos. A colega do lado cochichou:

– Amiga, não é elegante.

– Oxe, deselegante é eu perder o pé.

Dancei descalça o baile todo, sob os olhares julgadores da High Society. Mas, quer saber? Tava nem aí! Só me lasquei na tentativa de acompanhar a chiqueza e me diverti muito mais sendo essa marmota desmantelada que sempre fui.

Agora, adivinhe qual maquiagem foi feita no salão

 

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