Mungangas infantis

Tomar banho de açude e de chuva; brincar de roda, de se esconder, do toca, de estátua, de bila e de pião. Brincadeiras da minha infância e das crianças da mesma época que hoje estão dando vez pra outras formas de diversão. As tecnológicas. Mas, na minha família, pode acontecer tudo isso, ao mesmo tempo, ou não. Bem, sei lá! O que sei é que tem munganga com força, até entre os pequeninos.

Como um foguete

São seis sobrinhos, com idade entre oito e um ano. Começando por Maria Clara (08), que parece ser ligada na tomada, 24 horas. Um dia, fomos a uma exposição de Brennand e parei diante de uma escultura, tentando entender do que se tratava. Uma base redonda com um objeto pontudo em cima. Mas, o que seria aquilo???? E tome a olhar, olhar e já tava ficando quase de cabeça pra baixo, procurando uma descrição, escrita em algum lugar, quando ela aparece, feito um foguete e grita: Eitcha! Que coisa interessante! É um bolo com uma coruja! E saiu do mesmo jeito que entrou. E eu lá, estatelada! Marminina, quem não sabia que era isso?????

Inspiração que gera inspiração!

Ana Clara (07), mora em Pombal e veio pro lançamento do meu blog. No dia seguinte, eu tentando escrever um texto sobre aquele momento mágico, parei e fiquei pensando…. E ela, observando, do alto de sua “maturidade”, perguntou:

– O que foi, tia?

– Tou sem inspiração, minha moça! Me diz aí: o que você mais gostou na minha festa?

– Tava tudo lindo! O pastel tava uma delícia, aquelas escadas são lindas…

– Oxe, peraí! E eu? Você não me viu lá não, foi?

– Siiiiiimmmmm!!!!! É mesmo! A senhora tava linda, tia, mas, tava muito assanhada.

E a inspiração chegou! Um anos depois, fui fazer o show em Pombal e ela pediu pra participar. Só não sabia o que ia falar. Sugeri a história da assanhada e ela meteu bronca! Encarou a plateia e deu conta do recado, maravilhosamente, bem. Uma fofa!

Louca por bicho

Um dia, quando morava no sítio, minha irmã, Ezi Raiane, tava lavando a louça e quase teve um piripaque com uma cena, no mínimo, estranha: Ana Lara (06), abraçada com um sapo, como se tivesse com o brinquedo preferido, de um jeito tão forte que o pobe chega tava espragato no mei dos peitos dela, só com os zoim do lado de fora. Minha irmã ficou tão agoniada que nem teve como brigar e mandar soltar o bicho. Larinha muito que aproveitou e ligeiro, pegou um pano de prato e saiu limpando a remela do amiguinho.

Lalai agora é cantora

No dia que botei adesivo no carro, com os produtos Munganga, onde tem uma foto minha, de um momento do show, falando ao microfone no pedestal, fui, toda feliz, mostrar na casa de mainha. Mell (05), saiu correndo despinguelada pra chamar meu cunhado, Pablo:

– Pai, pai, Lalai comprou um carro novo.

Quando Pablo já tava correndo pra comprovar, todo curioso, ela corrigiu:

– Quer dizer, o carro ainda é velho. Só que agora com Lalai cantando!

Que cheiro é esse?

Um dia, cheguei na casa de mainha, e lá vem Dominique (02), correndo, na maior alegria, em minha direção, e já vfoi me dando os braços, gritando:

– Lalai! Lalai!

– Meu amorrrrrr…..que cheiro é esse, Dominique? Você fez cocô?

E ela, balançou a cabeça, positivamente.

– Oh mulher, e por que não me disse?

E ela, balançou a cabeça, negativamente.

Decorou?

Andy é o caçula, com um ano de idade. A primeira palavra que aprendeu a falar foi o nome do pai, Pablo. Só que na linguagem dele é “Pabo”. O detalhe é que ele não falava este nome menos de mil vezes no dia. Minha irmã, Eduarda, já entrando em pânico, passou o dia ensinando uma nova palavra: papai! E cada vez que perguntava, pra se certificar que ele tava tinindo, respondia, bem direitinho:

– Papai! Papai! Papai!

Minha irmã, toda feliz, não via a hora do marido chegar pra ver a novidade. Até que Pablo chegou e ela correu com Andy nos braços.

– Diga aí meu amor: papai, diga! Papai!

Andy estufou o peito e o orgulho e meteu:

– Paaa Pabo Pabo Pabo!

 

 

 

 

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