Você entende cearês?

*Munganga escrita pelo ouvinte paraibano, Fabiano Alexandria, fazia era tempo, mas, nunca tinha publicado. Por achar a cara do Munganga, cedeu, gentilmente. Fabiano é médico, escritor, pai, marido, filho e mais uma ruma de coisa

 

Chico, cabra errado e bonequeiro, já melado, depois de traçar um celular e duas meiotas, vinha penso, cambaleando, arrodiando o pé-de-pau , quando deu uma topada que arrancou o chamboque do dedo.

– Diabeísso! – Disse Chico todo distrenado e fazendo munganga.

– Vai, cu-de-cana! Mangou a mundiça zuadenta que tava perto.

– Aí dento! Vão se lascar seus bunequeiro! Num dão nem um prego numa barra de sabão e ficam aí só aperreando os outros.

Chico tava ariado desde ontonti, quando o gato-réi que ele acunhava lá na baixa da égua, a cutruvia mais famosa da rua do papoco, bateu fofo com ele pra ir engabelar um galalau estribado da Aldeota.

– É o que dá pelejar com catiroba, fulerage – pensava ele. Ganhei um chapéu de touro, mas não tem Zé não, aquela marmota tá mesmo só os queixo e a catinga. Dá é gastura! – Num quero mais saber de arenga não.

Chegando em casa se empriquitou de vez e rebolou no mato todas as catrevage da letreca: uma alpercata, um gigolete amarelo queimado e uns pé de planta que ela tinha trazido inquanto iam se amancebar. Depois se empanzinou de sarrabui e de baião, dipindurou as ropas nas cruzetas, imbicou na rede e foi dormir pensando nas comédias, mas não antes de provocar umas duas vezes.

 

*Fabiano é autor do romance policial intitulado “Rio dos Ventos – Conspirações e suspense”, disponível nas maiores livrarias online e, em João Pessoa, na Livraria Leitura, na sessão de autores paraibanos, no Shopping Manaíra.

 

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