A saga do voo perdido

Estas são Roseane e Flávia, duas paraibanas que viveram um dia de mungangas no RJ

Atire a primeira pedra quem nunca aprontou uma munganga no avião. Euzinha aqui tenho uma tuia, além do medo de avuar. Mas, depois eu conto.

Hoje, a munganga fica por conta de duas amigas: Roseane Machado e Flávia Barbosa, numa viagem, a trabalho, que fizeram ao Rio de Janeiro.

Tudo começou durante um dos intervalos do trabalho. Aproveitaram para ir a Copacabana. Quando passavam em frente a um hotel pode de chique, Roseane contou que já tinha se hospedado ali com a família. Ela teve uma ideia quando viu a reação de Flávia, que ficou de boca aberta com tanto luxo e até aproveitou para tirar um retrato na frente do prédio.

Pra deixar a amiga mais contente ainda, sugeriu que se passassem por hóspedes. E assim fizeram! Pegaram o elevador direto pra cobertura onde tinha um buffet pra lá de elegante. Quando os garçons se aproximavam pra perguntar se queriam algo, respondiam, com cara de rica:

– Não, obrigada! Já estamos satisfeitas!

Mas, pia praí!

No dia da viagem de volta, é bom que se diga logo, não houve volta e sim muito aperreio e agonia que acabaram em munganga.

Assim, como determinam as regras, chegaram uma hora antes do voo. Passagens checadas; bagagens despachadas… tudo dentro dos conformes, até que… começou a saga do voo perdido, exatamente, naquela hora que todos “adoram”: passar pelo detector de metal! Simplesmente, Flávia ficou enganchada e não conseguia sair de lá!

– Tire o cinto!

Tirou… e nada. O bicho tome a apitar.

– Tire o sapato!

Novamente, obedeceu e…nada.

– Tire as jóias!

E foi um tal de tire e tire e ela a obedecer e, mesmo assim…nada!!!!

Foi quando ouviram algo que mudaria o destino das duas, pra sempre, naquele dia. E a mensagem vinha daquelas vozes educadas e “humanizadas” de aeroporto e avião (acho até que estudam todos na mesma escola que ensina como falar igual. Só pode!): “última chamada para as senhoras Flávia e Roseane, no voo para João Pessoa”. Traduzindo, a voz dizia mais ou menos assim: “se avexem que o avião tá num pé e noutro pra ir embora”.

Entraram em desespero, mas nem assim o detector colaborou. Até que, depois de Flávia ter tirado quase tudo, deu certo.

Agora, imaginem a cena: Roseane correndo na frente, com aquela elegância que lhe é peculiar, puxando uma bolsa com rodinha e Flávia correndo atrás, cai aqui, cai acolá; calçando o sapato; abotoando o casaco; botando as jóias e apanhando os papeis do evento que se espatifaram pelo chão.

E as duas gritando:

– Ei! Peraí! Flávia e Roseane, de João Pessoa somos nós! Estamos chegando!

E a porta do embarque fechou e o avião começou a se bulir pra avuar.

Nisso, Roseane começou a espernear, com fineza, é claro:

– Eu sou diabética, preciso ir neste voo!

Já em Flávia, baixou o espírito de pobre, e ela, crente que o avião era um ônibus, batia no vidro do portão de embarque e gritava:

– Pare este avião que eu quero subir! (era como se dissesse ao motorista de ônibus: pare aqui, motorista, que eu quero descer e bem que ele obedecia, mesmo sem ser nas paradas oficiais. Quem nunca?) Só que no avião não tem boquinha não e perderam o voo.

Esbaforidas, procuraram o guichê onde foram informadas de que ganhariam novas passagens para o voo do dia seguinte, sem nenhuma despesa extra.

Ficaram revoltadas com a proposta e foram logo procurar seus direitos.

No Procon, depois de contarem toda a saga, o funcionário disse:

– Meninas, vocês se dêem por satisfeita por eles não estarem cobrando taxa extra. Tá ótimo! Vão pegar as passagens, antes que seja tarde.

Botaram o rabo entre as pernas e voltaram pro guichê, numa correria só. Como naquele dia o universo não tava lá muito do lado delas, o guichê já havia fechado.

Não restou outra alternativa a não ser procurar um hotel e, já que não queriam arredar o pé do aeroporto, foram procurar um, lá dentro mesmo. Quando a recepcionista disse o valor da diária, quase enfartavam.

– Minha filha, isso é o valor da feira da minha casa… de mês…e comprando muito supérfluo (elas não disseram isso, mas, eu certamente diria).

E tome a pechinchar, a chorar e resolveu: o valor caiu pela metade!

Finalmente, alguma coisa boa naquele dia! Flávia disse:

-Eitcha, que agora eu vou curtir a vista da “cidade maravilhosa”!

Apoi, num é que, quando entraram no quarto e Flavia abriu a cortina, a única paisagem que via era a de um coqueiro, só que, pintado, na parede da frente, praticamente colada na janela do quarto.

Oh! peleja sem fim!

Saldo daquele dia: Flavia tava tão tensa, com medo de perder o voo, que num dormiu um pingo. Passou a noite de olho grelado na TV e, às 05 horas da madrugada, correu pro guichê. O bom foi ter que fazer o drama tudo de novo, pra não pagarem taxa extra, já que eram outros funcionários.

Enfim, as duas, finalmente, embarcaram, com dor no buxo de tanto achar graça e comentando:

– Foi a melhor viagem que fizemos!

É, minhas amigas, o Ministério da Saúde adverte: Munganga faz um bem danado pra saúde!

 

17 thoughts on “A saga do voo perdido

  1. Já aconteceu comigo, eu e Márcia minha sobrinha voltando de Brasília.
    Comprei a passagem e me disseram que era 5:00hs da tarde (à 15 anos atrás tirava a passagem a mão, e como a letra era horrível ninguém entendia nada) e a passagem era pra 5:00hs da manhã.
    Aí vem as mungangas

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