Munganga é munganga…de pé ou deitada

 

“Você pode ter hérnia de disco ou bico de papagaio!”

Disse o médico, observando o raio-x da minha coluna lombar. Eu tava cheia de dor. Mesmo assim, fiquei pensando: como pode botarem nomes tão engraçados pra dores tão da gota serena?

Na ânsia de minimizar o incômodo, provocado pelas dores, comecei a viajar nessa mania de botar nome de uma coisa em outra.

Quanto à hérnia de disco, alguém precisa avisar a quem inventou o termo, que já tá bem ultrapassado. Se fosse pra acompanhar a atualidade, seria mais ou menos hérnia de spotify e, daqui a pouco terá que mudar novamente. Que mude ao meno o nome, já que a dor…

E bico de papagaio? Que mulesta de nome é esse? O que um bichinho tão fofo tem que apelidar uma doença tão chata? Peraí! Acho que já sei! Tem um papagaio de um vizinho que passa o dia todo fazendo aquele assovio pra dizer que a pessoa tá linda. Fiu-fiu! O pobe não sabe imitar outra coisa e enche o saco com esta repetição. Deve ser daí a ligação com o nome da doença: insistência! Pois, tome injeção, comprimido, fisioterapia e ainda tem um tal de “não durma emborcada”,  “não bote compressa”, “não massageie”…a pessoa fica parecendo um robô e a dor? Continua lá, firme e forte, como o bico do papagaio.

É uma dor que trava e atrapalha de fazer as coisas mais simples. No primeiro dia de crise, tenho a impressão que tomei uns 20 banhos, pois só conseguia fazer xixi em pé. Sentar e levantar do vaso sanitário são verdadeiras torturas pra quem tá na crise.

Pra vestir uma calcinha, por exemplo, a gente tem que ter movimentos de Ninja, limitados, é claro. Deita na cama e vai fazendo todo o trabalho com os pés, já que o uso das mãos, neste movimento de se abaixar, é algo impossível. Ao final da peleja, tem que se dar por muitíssimo satisfeita se a frente não foi pra trás, ou vice-versa.

Tudo dói. Desde tossir a um simples e inocente espirro. Minha gente, eu não sei com vocês, mas, comigo, toda vez que tou com algo que não posso fazer uma coisa e nem outra, eles se amostram, viu! Meu filho Caê ficou mangando de mim quando apareceu uma tosse, sabe-se lá de onde e eu tentando fingir que não era comigo. Com o espirro é a mesma coisa. Eu nunca espirro, mas, nestes cinco dias de crise,  ele já bateu a minha porta um moi de vez e eu sempre “abortando a operação”.

Até achar graça incomoda! Armaria! Pedi a meu filho, Ian, pra fazer um brigadeiro. Ele fez e me chamou pra gente sentar no quintal onde tava mais frio. Quando fui sentar, a calçada era baixa e, imediatamente, recuei, dizendo: eu não consigo! Ian quase tem um troço de tanto rir. Disse que, quando falei que não conseguia, tava com os dentes cheios de brigadeiro e ficou me imitando. Não resisti e tive que me render a gaitada, mesmo com a dor lá.

Por conta dessas limitações, tive que cancelar o Munganga de Pé – Vulgo Standup, que tava marcado pro dia 10 de novembro, na Budega Arte Café, no Bancários.

O próximo show está marcado pro dia 06 de dezembro, na Pizzaria Capitão Farinha, em Jaguaribe. Espero que até lá o disco, o papagaio, o bico, ou seja lá o que for, tenham voltado pro canto deles pra que eu também volte pros meus lugares.

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