Respeito

Neste domingo, li um poema de Manoel de Barros, que me encheu de respeito por quem leva a vida respeitando as coisas desimportantes.

Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.

Ao ler essa maravilha fiquei me perguntando em que momento da nossa vida fica tudo tão quadrado, tão definido e tão adulto? Quantas e quantas vezes, quando era criança, lá em Pombal, ouvia algumas pessoas dizerem que nunca deixariam de brincar (garrafão, bode berrou, se esconder), nem mesmo quando crescessem?

Tudo conversa! Deixaram sim de respeitar as coisas desimportantes.

Enquanto isso, as obrigações vão nos engolindo; os compromissos nos tomando todo o tempo e não sobra nem uma lasquinha para as coisas desimportantes.

Será?

Estes dias eu tava com muita vontade de dançar e, mesmo assim, não me bulia pra que isso acontecesse. Até que uma amiga fez o convite. Qual foi minha reação? 80% de não vontade de ir. Mas, preferi apostar no percentual menor e me danei pra noite pessoense. Foi uma noite linda, cheia de coisas desimportantes.

Quase me estabaquei de tanto dançar, samba, depois, uma balada mais lenta e, por último, forró. Não tem ninguém pra dançar? E quem se importa? Vamos observando as coisas desimportantes que vão acontecendo. A poeira sobe, o suor desce, a sandália tora, a época mais importante pro nordestino tá se aproximando, as pessoas se enfeitam e se vestem de alegria.

“Tenho abundância de ser feliz por isso”.

 

17 thoughts on “Respeito

  1. Também sempre me questiono porque não me dedico as pequenas felicidades, fazer o que gosto? Dia 31 de maio: fui morrendo de preguiça para C. Grande, encontro com as amigas do primeiro emprego, foi bom demais!!!!💃🎉 Sexta leio mensagem da minha sobrinha “pai espera que a senhora venha para entreter com ele na igreja” fui ontem sem condições, questão de grana mesmo, para C. Grande: foi lindo a cerimônia e MARAVILHOSO!!🎉💃 Dois momentos sem grandes investimentos financeiros mas de muitos motivos para sorrir, abraços, alegria simples que faz muito bem para a alma! Estou sempre com você Romye brincar de ser feliz é mais simples do que a gente faz parecer. Beijo, saudades de vocês e suas risadas!

  2. Amei, Romye!
    Eu também sou fascinada pelas coisas que Manuel de Barros chama de desimportantes.
    Para mim elas são tão importantes que , mesmo morando em João Pessoa há 31 anos, sempre falo que saí do mato mas o mato não saiu de mim.
    Sinto – me mais feliz fazendo as coisas mais simples, por isso tenho muita vontade de voltar pro meu sertãozinho

  3. Adorei!
    Preciso viver mais coisas “desimportantes”.
    Bjs. Saudades de nossas conversas soltas, risos desenfreados… naquele tempo eu vivia mais leve tendo você como companheira de trabalho.

  4. Nossa! Como dá saudades dessa época desimportante que fazíamos quando criança! Eu guardo até hoje uma daquelas coisas desimportantes que fazíamos. Tipo, tenho guardado muitos gibis de heróis dos anos setenta. E de vez em quando pego alguns deles e passo a relê-los esquecendo que tenho coisas importantes a fazer naquele dia.
    Romye ótimo texto. Ótimo blog. Divulgo para meus amigos aqui em Brasília.

  5. Minha amiga, amo tua simplicidade de levar a vida de maneira tão sábia.
    Esses sim, são os melhores momentos que guardamos na memória. Simbora ser feliz e gratos! Beijos

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